PRF ou PF? Uma análise parcial 2


Por Luís Krieger

 

Dia desses, alguém me perguntou se eu trocaria a PRF pela PF…. aqui vai minha resposta em forma de análise.

Adianto-lhe que essa não é uma análise imparcial. Sou agente da PRF e nunca fiz concurso para a Polícia Federal. Em breve você entenderá meus motivos.

Primeiramente, você precisa entender um pouco da minha história e personalidade, pois minhas escolhas de vida aconteceram, e acontecem, baseando-se nesses fatores.

Me formei no Colégio Militar de Porto Alegre e, na sequência, ingressei no curso de Engenharia Elétrica na UFRGS. Passados alguns meses, percebi que o curso não tinha a ver comigo. Decidi então que seria Delegado de Polícia Federal.

Para isso, necessitava cursar Direito. Estudei novamente para o vestibular e fui aprovado em Direito, também na UFRGS. Falando assim, pode parecer que o caminho foi fácil. É claro que não foi. Mas o foco aqui não é vestibular, mas concurso público, ok? 😉

Prosseguindo…

No Direito, comecei a ter contato com juízes, desembargadores e procuradores. A ideia de ser Delegado soava “pequena” perto das pessoas com quem eu estava convivendo. Então mudei de ideia e comecei a estudar, desde a faculdade, para um dia me tornar Procurador da República ou Juiz Federal. Mas para isso, necessitava de três anos de prática jurídica.

No início, eu achava que ser um Juiz Federal era algo muito distante, algo inatingível. Contudo, se eu continuasse pensando assim eu não iria conseguir. Eu sabia disso. Eu precisava acreditar que era possível. Então, desde o segundo semestre da faculdade, já comecei a prestar concursos. Aos poucos fui vendo que, com um método certo, ser aprovado nesses concursos “pikas” não era nenhum bicho de sete cabeças. Eu tinha confiança de que conseguiria. Acreditar é o primeiro passo para o sucesso.

Ainda durante a faculdade, consegui ser aprovado para analista do MPU na colocação de 102º e para Técnico do STM em 6º. Consegui ser aprovado para Capitão da Brigada Militar (sim, aqui no RS você começa como capitão se prestar concurso para nível superior formado em Direito). Também prestei concurso para Juiz Estadual e consegui um ótimo desempenho, com acerto acima de 60%. Mas meu melhor resultado foi para Procurador do Estado. Por uma questão apenas eu não consegui ir para a próxima fase. Tudo isso eu consegui durante a faculdade. Sou um gênio? Claro que não. Até já rodei no colégio (sim, na sexta série do colégio militar). Eu apenas aprendi a estudar e a conhecer meu processo de aprendizagem. Depois disso, deslanchei….

Mas o foco aqui não é sobre métodos de estudo, mas sim sobre: PRF ou PF, não é mesmo? Rsrs…

Voltando….

Analisando os meus resultados durante a faculdade, qualquer um diria: ele COM CERTEZA vai ser um Juiz Federal ou Procurador da República. Meus colegas da faculdade tinham isso como certo.  Mas algo na minha vida aconteceu e meu TRAJETO MUDOU.

Durante a faculdade, eu tive a oportunidade de trabalhar no Tribunal Regional Federal e também no Ministério Público Federal por quatro anos. Nesse tempo, pude vivenciar como é ser um Juiz Federal ou um Procurador da República.

O que me chamou a atenção nesses lugares foi: apesar dos elevados salários, as pessoas não eram felizes e motivadas. Era prática comum entre os servidores ficarem contando os dias para o próximo feriado. Ficava claro que o trabalho era um peso na vida da maioria daquelas pessoas. Um sofrimento necessário em contrapartida a um ótimo salário (ao menos para a maioria).

Após me formar na faculdade, comecei a trabalhar como assessor no MPF. Passava 7h do meu dia dentro de uma sala fechada analisando processos. Minha ideia era ficar em um cargo qualquer para conseguir os três anos necessários de prática jurídica para então prestar concurso para os cargos “tops” (Juiz ou Procurador da República).

Contudo, a minha experiência como assessor serviu apenas para me mostrar o seguinte: eu não suportaria passar o resto da minha vida dentro de uma sala, lendo processos, vendo a vida passar lá longe, pela janela. Um dia de trabalho era como se fosse um dia a menos de vida. Eu não queria isso para mim… Mas ainda não sabia o que fazer da vida. Então ainda estava mantida a ideia de ser Juiz/Procurador.

Eis que surge o concurso para a PRF. Meu irmão decide se inscrever e eu, para motivá-lo a fazer o concurso, decido fazer também.

Assim a PRF surgiu em minha vida. Eu pouco sabia sobre ela. Meu conhecimento só não era nulo em razão de meu colega de faculdade, que era PRF. De vez em quando escutava alguma história dos plantões dele… das perseguições e prisões. Isso acabou me despertando uma sede por aventura.

Essas histórias do meu colega, somadas à intenção de motivar meu irmão a também estudar para o concurso, me impulsionaram a realizar a inscrição no concurso. Meu plano passou a ser o seguinte: ser aprovado na PRF, fazer concurso para Delegado da PF e lá concluir os três anos de prática jurídica para, então, ingressar em um concurso TOP. Eu decidi que gostaria de ter na minha vida a experiência de ser PRF por algum tempo.

Quando comecei a estudar para a PRF, eu estava destreinado. Embora tivesse bagagem jurídica, estava “parado” nos estudos, apenas cumprindo tabela na espera dos três anos de prática jurídica. Eu tinha o desafio de me preparar em menos de 3 meses para um concurso com mais de 100 mil inscritos.

Não vou entrar em detalhes aqui da minha preparação, mas logrei êxito e consegui ser aprovado utilizando algumas técnicas de estudo otimizadas que eu havia aprendido nos concursos que realizei durante a faculdade, focando na pertinência temática. Após o curso de formação, veio a nomeação: eu seria lotado no Tocantins. Isso foi um balde de água fria, pois eu tinha esperança de ficar perto de casa.

Confesso que pensei em não assumir o cargo na PRF. Não queria ir para longe da família e da namorada. Conversei com minha mãe e ela me disse: “Filho, vai lá e faz um teste de dois meses. Caso não goste, pede exoneração”.

Segui o conselho de minha mãe e fiz o teste de dois meses. Já nos primeiros dias de trabalho, notei uma diferença enorme entre o trabalho na PRF e no MPF. Ir trabalhar era DIVERSÃO. Sim! Diversão! Eu cheguei a ir trabalhar durante as minhas folgas, pois ao contrário do que acontecia no MPF, na PRF durante o serviço eu sentia que estava VIVENDO.

Sentia-me muito feliz em poder trabalhar ao ar livre em contraste com meu trabalho no MPF, enclausurado dentro de uma sala fechada. Gostava da adrenalina que sentia durante o trabalho policial. Participei de missões de combate ao trabalho escravo. Prendi traficantes. Socorri pessoas envolvidas em acidentes. Recuperei carros roubados. Enfim… me apaixonei pelo trabalho na PRF.

Além disso, a PRF tem um grande trunfo: o plantão por escalas, que embora seja puxado durante o serviço (24h), ele te dá muita liberdade nas folgas (72h). Enquanto todo mundo estava trabalhando, eu tinha tempo livre para curtir a vida =D.

Durante esses dois meses de “teste”, eu ansiava por ir logo trabalhar. Se eu pudesse, trabalharia todos os dias. Pela primeira vez na vida estava realizado com o que fazia.

Os dois meses se passaram e com eles também passou minha vontade de fazer outros concursos públicos. Aprendi com a PRF que dinheiro e statusnão é o que mais importa na vida. Não troco a liberdade que tenho por um salário maior.

Pode ser que um dia eu mude de ideia? Pode. Mas já faz quatro anos que estou na PRF e não penso um dia sequer em prestar outro concurso. Tenho uma vida absurdamente feliz =D

Dia de plantão é dia de felicidade. É trabalho pesado, mas também é alegria com os colegas de equipe, verdadeiros amigos.

Ah, PRF ou PF?

Ainda com dúvidas?

Bem, a PF tem mais status e uma remuneração um pouco maior do que a PRF. Contudo, não possui liberdade e a maior parte do trabalho ocorre dentro de uma sala fechada. Para mim isso não serve. E por isso nunca prestei concurso para a PF.

Serve para você? Pode servir. Depende da sua personalidade.

 

Como mensagem final, uma dica: escolha um trabalho que não seja um sacrifício diário. Escolha algo que deixe você feliz, que faça você crescer como pessoa.

 

Se você quer ser PRF, logo logo teremos concurso. Ainda dá tempo de você ter essa vida também! Corre lá e agarra a sua oportunidade.

 

Graaaaaande abraço! =D


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2 pensamentos em “PRF ou PF? Uma análise parcial

  • jaqueline

    Olá Luis,
    O que é a vida né?! As vezes a gente quer tanto uma coisa achando que é o melhor para nossa vida, e de repente o mundo dá voltas, e com isso mudamos completamente nosso rumo, não é mesmo?! Adorei sua história.
    E começei a estudar para a PRF em jan/2017, porém com rumores do avanço do concurso da PF, mudei o foco e tentei a PF, mas já adianto que não fui muito bem na prova, e agora estou de volta para tentar a PRF, confesso que estou um pouco desanimada para o estudo…
    Mas seguirei em frente, rumo à minha aprovação.
    Você ficou muito tempo em Tocantins? A remoção é fácil?
    Pergunto isso, porque tenho uma filha pequena, e meu receio é parar em um fim de mundo, e longe dela… entende?!
    um abraço,
    Jackie_futura policial

  • THADEU

    Boa noite! Prestei o último concurso na Bahia, infelizmente fiquei com apenas 61 pontos líquidos, quase certeza que não vai dar pra mim, afinal a Bahia teve 865 pra uma. Cara, gostaria muito de conversar um pouco contigo, sou bacharel em direito e policial militar E JÁ TENHO 36 ANOS, estou pensando em me dedicar para delegado agora, tendo em vista que o próximo concurso PRF deve demorar muito. Farei outro concurso mas com o coração partido, a PRF é meu sonho! Caso seja possível entra em contato comigo por favor. Obrigado!